sexta-feira, dezembro 31, 2010

Shelley sem anjos e sem pureza



Shelley sem anjos e sem pureza,
aqui estou à tua espera nesta praça,
onde não há pombos mansos mas tristeza
e uma fonte por onde a água já não passa.

Das árvores não te falo pois estão nuas;
das casas não vale a pena porque estão
gastas pelo relógio e pelas luas
e pelos olhos de quem espera em vão.

De mim podia falar-te,mas não sei
que dizer-te desta história de maneira
que te pareça natural a minha voz.

Só sei que passo aqui a tarde inteira
tecendo estes versos e a noite
que te há-de trazer e nos há-de de deixar sós

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

5 comentários:

Filipe Oliveira disse...

Paz, Saúde e Amor.
Um ano de 2011 cheio de desafios concretizados.

Fatyly disse...

Uma delícia de soneto que embora triste é altamente preenchente. A foto é lindissima.

Beijocas linda e Bom Ano

Paula Raposo disse...

Uma beleza de poema!
Beijos.

Observador disse...

A tristeza que se constata na escrita de Eugénio de Andrade não nos impedirá dela retirar o melhor.

Bom ano e bjs.

eduardo disse...

Um bom ano de promissores olhares e sonhos. De sentimentos. De poemas à flôr da pele.