terça-feira, dezembro 14, 2010

O espírito



Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

Natália Correia

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

e nunca faltou MESMO! um grande poema!

Beijocas e um bom dia

Observador disse...

Gostei!

Bj

Paula Raposo disse...

Mais um óptimo poema da Natália. Boa escolha, Isabel. Beijos.