sexta-feira, dezembro 18, 2009

O cercado



De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó

Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado

De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias

Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado.

Ana Paula Tavares

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Extremamente belo! Obrigada, não conhecia.
Beijos.

polittikus disse...

adorei. Complicado de apanhar o sentido, pois fiquei na duvida, se a mãe é a natureza ou não...

Cadinho RoCo disse...

Onde estão todas as coisas?
Cadinho RoCo

Fatyly disse...

Não conhecia e tocou-me muito. Lindissimo!

Beijocas