segunda-feira, junho 11, 2007

Soneto (quase) Gótico



Volúvel, secreto, o disco lunar,
cambiante de cores, montou, assombrado,
e a casa, em silêncio, azul, de embalar,
tingiu-se de sangue, de branco enregelado.

Os olhos da noite espreitaram a casa,
em todos os quartos a luz penetrou,
estavas à janela, e, num golpe de asa,
tua silhueta, o luar levou.

No meio das sombras, colhi-te na rua,
os dedos da lua traçam-te o perfil,
teu corpo alongado, que treme e recua,

debruado a prata, a gelo subtil.
- Noite milenar, quem melhor retrata
seus frios contornos, seu olhar febril?

Manuel Filipe, in "Tempo de Cinza", pág.36, Apenas Livros

Foto:Nightshadow

5 comentários:

MariaTuché disse...

Bem amiga nem imaginas como gostei de vir cá hoje, ouvir "Falco" e este tema foi demais, vou voltar de novo para ouvir de novo.

Bons tempos, boas recordações ao som desta música...

Beijosssssssssssssssssss

António disse...

Querida Isabel!
Mais um lote de bons poemas que aqui vim encontrar.
Li só alguns, pois eles são tantos que precisaria de muito tempo para ler tudo com a atenção que eles e tu mereciam.
Mas...

Beijinhos

papagueno disse...

Mais um belo poema do Manuel.
Beijinhos e boa noite.

andorinha disse...

Belíssimo poema!
Estou-me sempre a repetir, mas é verdade:)
E adorei a sensualidade da foto, também.
Beijos.

mfc disse...

Mesmo em tempos de cinza... esperamos por algo que brilhe!