terça-feira, fevereiro 13, 2007

A noite chega com todos os seus rebanhos



Uma cidade amadurece nas vertentes do crepúsculo
Há um íman que nos atrai para o interior da montanha.
Os navios deslizam nos estuários do vento.
Alguma coisa ascende de uma região negra.
Alguém escreve sobre os espelhos da sombra.
A passageira da noite vacila como um ser silencioso.
O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se.
As ondas adormeceram com as cores e as imagens.
As portas subterrâneas têm perfumes silvestres.
Que sedosa e fluida é a água desta noite!
Dir-se-ia que as pedras entendem os meus passos.
Alguém me habita como uma árvore ou um planeta.
Estou perto e estou longe no coração do mundo.

António Ramos Rosa

Foto:Elena Vasileva

3 comentários:

Fatyly disse...

Um dos poemas que mais gosto de António R.Rosa. Gostei de reler e a foto é um espectáculo.
Beijos

Maria Carvalho disse...

Eu adoro ler Ramos Rosa. Um poema formidável! Beijos Isabel.

poetaeusou . . . disse...

O crepusculo.
Dos silenciosos espelhos.
Feitas estrelas.
De silvestres ondas.
Na noite habita.
o perto e o Longe.
bjs